Principais características das trações dianteira, traseira e integral

No mundo do automóvel, uma característica marcante de um carro diz respeito as rodas que o tracionam. Isso normalmente define como o carro foi projetado. Assim, um carro de tração dianteira sabemos que terá todo o seu conjunto motriz, inclusive câmbio, diferencial e os semieixos que levam os movimentos as rodas, todos colocados na parte dianteira do veículo. Já em um carro de tração traseira, sabemos que esse veículo pode ter seu motor na dianteira, na traseira ou até central, entre os eixos dianteiro e traseiro, como é o caso dos superesportivos. Finalmente, os carros de tração integral podem ter seu motor na dianteira, na traseira, entre os eixos e até dispor do propulsor colocado transversalmente. Esses últimos são os mais tecnologicamente complexos, sofisticados e evoluídos.




Tração Dianteira

Os carros de tração dianteira são aqueles construtivamente mais simples, pois concentram toda a sua mecânica na parte frontal do veículo. Esse fato em si libera um bom espaço interno na carroceria sem a necessidade de túneis para o eixo que transmitiria o movimento do motor dianteiro para as rodas traseiras, nem tampouco surge a necessidade daquela grande elevação entre os bancos dianteiros que comportaria o câmbio. Apesar de concentrar a mecânica na dianteira, os carros que tem esse tipo de tração não chegam a ter comprometida sua dinâmica, em que pese o fato de possuir na parte frontal todo o peso do motor e transmissão.
Nos carros de tração dianteira mais antigos, os motores eram dispostos longitudinalmente, e nos mais modernos o motor é disposto transversalmente, fato que torna o veículo mais compacto, permitindo uma dianteira mais curta. Isso dá aos projetistas a liberdade de trabalhar melhor a aerodinâmica frontal.


Normalmente, os carros de tração dianteira costumam mostrar uma tendência a escapar de frente nas curvas velozes e a mostrar um desgastes de pneus dianteiros mais acentuado, pois a eles ficam a responsabilidade de tracionar o veículo e mudar sua direção, algumas vezes ao mesmo tempo.




Tração Traseira

Normalmente utilizada em carros de maior porte, a tração traseira caracteriza-se por uma distribuição de pesos mais uniformes entre os eixos. Consequentemente, essa característica construtiva oferece uma dinâmica bem mais agradável na condução: O motor apoiado no eixo dianteiro, logo depois o câmbio e o eixo cardã levando o movimento do câmbio até o diferencial no eixo traseiro. Para os mais puristas, essa é a disposição ideal da mecânica de um veículo. A grande maioria dos consagrados carros europeus e boa parte dos norte-americanos, principalmente aqueles produzidos até os anos 90, utilizam essa disposição mecânica. Além de mais caro, esse modelo construtivo exige um grande console entre os bancos dianteiros, onde está o câmbio, e aquele incomodo túnel no assoalho que abriga o eixo cardã que leva o movimento as rodas traseiras.
Sedãs construtivamente mais sofisticados, que almejam uma distribuição de pesos entre os eixos ainda mais equilibrada, deslocam o câmbio da parte posterior do motor para o eixo traseiro, fazendo dessa forma que se tenha quase 50% de distribuição dos pesos entre os eixos dianteiro e traseiro.


Mas claro que não devemos nos esquecer que a tração traseira, assim como a dianteira, concentram toda a sua mecânica na parte posterior da carroceria. Esse é o caso do Fusca, dos Renault vendidos aqui nos anos 60, além dos consagrados Porsche, que, apesar de terem a mecânica concentrada na traseira, ao contrário dos Fuscas e Renault sempre mostraram uma dinâmica e um equilíbrio elogiável graças ao sofisticado sistema construtivo de suas suspensões.



Tração Integral

Sem dúvidas, a tração integral é o sistema mais caro e sofisticado das rodas impulsionarem o veículo. Mas claro, é o sistema construtivo que apresenta os melhores resultados dinâmicos na condução do veículo: O carro não escorrega de frente como os de tração dianteira, não escapa de traseira como os carros de tração posterior e mantém um equilíbrio seguro em todos os tipos de curva e qualquer aderência do piso. Um grande fator de segurança. Além disso um diferencial central distribui o torque produzido pelo motor entre os eixos dianteiro e traseiro de acordo com a aderência encontrada no piso no momento da curva. O equilíbrio é praticamente perfeito, sem surpresas desagradáveis para o motorista. Os condutores habituados com a tração dianteira ou traseira, quando dirigem um carro com tração integral em velocidades mais elevadas, costumam comentar que a impressão é a de que o carro está andando sobre trilhos, tamanha é a velocidade com que consegue contornar as curvas.


Como desvantagens, os carros de tração integral costumam ser mais pesados, pois tem mais componentes mecânicos e, além disso, consomem mais combustível, pois as perdas mecânicas da transmissão costumam ser maiores. Mas, não tenham dúvidas, a tração integral é o sistema mais perfeito que as rodas têm para impulsionar um veículo.



Douglas Mendonça

Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Engenharia Paulista (IEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.

5 Comentários

  1. Tião

    Parabéns, otimo texto.

  2. João Batista Rigueiras Junior

    No produto Amarok , eu não concordo com a afirmação que a tração integral é mais pesada do a Pick-up com tração traseira . ,Pois a caixa de transferência da Amarok com a famosa reduzida
    é mais pesada do que o terceiro diferencial central que não tem reduzida que equipa a Amarok com tração 4X4 permanente . além de consumir mais combustível , vai consumir mais pneus dianteiros ,uma vez que o eixo dianteiro está sempre tracionado ..penso que há um paradoxo na questão dos pneus . Pois gasta mais pneus , mas em compensação eu tenho uma dirigibilidade mais confortável , porque eu não fico brigando com o volante , E penso que existe mais um paradoxo na questão do combustível , Gasta mais combustível , más em compensação eu tenho maior estabilidade , que me trás maior segurança . O que para mim é primordial .

    • Douglas Mendonça

      Você tem razão Joao, mas lembre-se que o maior peso não está apenas na caixa de transferência, mas também o peso da transmissão do eixo dianteiro, com coroa, pinhão, semi- eixos e juntas homocineticas.

  3. Claudio Luiz Gaspe

    Muito esclarecedor, parabéns.

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