Sistema de embreagem: Entenda seu funcionamento e manutenção

A embreagem tem como função intermediar a potência e o torque produzidos pelo motor para o câmbio. Imaginem o motor em funcionamento e o veículo parado: Como é que conseguimos colocar o carro em movimento transmitindo o torque produzido pelo motor para o câmbio e depois para as rodas? Por isso, desde os primórdios dos primeiros carros, os engenheiros criaram um sistema de atrito que, progressivamente, ia transmitindo o torque do motor para a transmissão sem solavancos nem trancos, de maneira suave.




Claro que ao longo dos tempos, os sistemas de embreagem dos primeiros veículos, lá pelo final do século 19, foram evoluindo, até chegarem aos sistemas praticamente perfeitos que são utilizados atualmente. Basicamente, um sistema formado por placa e molas, que é fixado ao volante do motor, comprime essa placa sobre um disco revestido de um material de atrito ligado diretamente a um eixo que liga esse disco ao câmbio. A medida que você tira o pé da embreagem, a pressão das molas comprimem o disco e, através de atrito, transmitem o movimento do motor para o câmbio.




Um sistema simples, durável, de funcionamento confiável e que, utilizado corretamente, pode durar de 20 até 50 mil quilômetros, dependendo do uso que se dá ao veículo. Claro que carros utilizados com mais frequência no pesado trânsito das cidades terão uma duração menor do sistema de embreagem e, ao sair em rampas e subidas, o desgaste do material de atrito do disco será ainda maior. Já os carros utilizados mais em percursos rodoviários, onde a embreagem é pouco exigida, tem durabilidade bem maior. Assistindo o vídeo abaixo, você entenderá o funcionamento desse simples e confiável sistema.


Há cerca de 15 anos, o mercado começou a falar na tal Dupla Embreagem, que mostrava como principal vantagem uma troca de marcha muito rápida e a viabilização do funcionamento perfeito do câmbio automatizado. O grupo Volkswagen mostrou em 2003 no Golf R32 um câmbio que funcionava em conjunto com dois discos de embreagem e um platô que alternava atrito um momento no disco das marchas pares, e outro momento no disco das marchas ímpares. Apesar de mecânico, o sistema funciona automaticamente, buscando a marcha correta considerando velocidade, pressão no acelerador, inclinação da pista, entre outros. O vídeo abaixo explica bem a magia desse mecanismo e como ele inovou a transmissão e o câmbio dos carros no início da década de 2000.




Os problemas clássicos de uma embreagem comum são as trepidações nas saídas ou transmissão insuficiente do torque do motor para o câmbio, conhecido como embreagem patinando. Em ambos os casos, a solução está na troca do conjunto platô/disco/rolamento. Não é algo caro de ser feito, apesar de trabalhoso, e tornará o pedal da embreagem macio e progressivo, como em um carro novo. Esse tipo de reparo é normal e natural, decorrendo do desgaste do material de atrito do disco e redução da pressão das molas com o platô. E, claro, como a embreagem desconecta o motor do câmbio para que a troca de marcha possa ocorrer, o perfeito funcionamento da embreagem também garante mudanças fáceis e suaves.



Douglas Mendonça

Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Engenharia Paulista (IEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.

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