O funcionamento dos sistemas de alimentação de motores

Não é difícil saber que, para o combustível sair do tanque e chegar no motor, é preciso do auxílio de bombas, sejam elas mecânicas ou elétricas. Na verdade, desde o início da história do automóvel, era utilizada simplesmente a força da gravidade para que a cuba do carburador se mantivesse sempre cheia de gasolina.





Vale lembrar que nesse período os tanques de combustível eram colocados em uma parte alta da carroceria e, por isso, a gasolina descia naturalmente para o carburador, colocado abaixo do nível do tanque. As potências dos carros da época eram baixas, então não precisava de uma bomba para enviar a pouca quantidade de combustível necessária para o funcionamento daquele motor.

A medida que o tempo foi passando e a tecnologia evoluindo, os tanques de combustível foram aumentando, e somente a gravidade já não dava mais conta do recado. Maiores, os tanques tiveram que ser colocados nas partes baixas do chassi, por uma questão de equilíbrio, que influenciava na estabilidade do veículo.



A partir daí, as bombas passaram a ser necessárias para movimentar o combustível. Através de haste e diafragma, elas sugavam a gasolina do tanque e enviava para o, até então, carburador. O sistema era bastante seguro e confiável, tendo durado por mais de 50 anos.

No início dos anos 80, com o crescimento do uso da injeção eletrônica, os sistemas de alimentação passaram a ser mais sofisticados: como a injeção eletrônica exige uma pressão maior na linha de alimentação, somente a bomba mecânica não era o suficiente para manter, por exemplo, 3 bar de pressão que a injeção exigia.





Nessa fase, os motores passaram a precisar de uma bomba elétrica para desempenhar essa função: ela mantém a pressão e a vazão corretas para o motor funcionar. Para isso, uma válvula normalmente posicionada perto das válvulas injetoras (ou bicos injetores, como são chamados popularmente), devolve o excesso de combustível enviado ao tanque pela bomba elétrica. Com vazão e pressão corretas, os bicos injetores pulverizam a quantidade de combustível que o motor pede naquele momento.

Mas os sistemas de injeção também se modernizam, então agora a injeção direta é a que oferece os melhores resultados de potência, torque, consumo de combustível e emissões de gases poluentes. A grande diferença dela com a indireta é que ela pulveriza o combustível diretamente nas câmaras de combustão, onde acontece a queima. Tudo isso com o mínimo de desperdício e queima iniciada já no momento da injeção.

Mas claro que, para fazer essa injeção diretamente nas câmaras, altas pressões são necessárias, números acima de 100 bar. Por isso os sistemas de alimentação com injeção direta são bem mais modernos, sofisticados e caros de serem mantidos e produzidos.





Além disso, para essas pressões altas de injeção, são necessárias duas bombas elétricas que trabalham juntas: uma retira o combustível do tanque e faz pressão sobre a outra, que se encarrega de pressurizar o combustível até os altos números exigidos pela injeção. Os resultados da injeção direta sobre a indireta compensam a maior sofisticação e valores cobrados por ela.



Douglas Mendonça

Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Engenharia Paulista (IEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.

1 Comentário

  1. Tião

    Parabéns, texto muito bom, didático.

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