Pneus: Medidas, construção e características

Não tem como negar: a importância do pneu é gigante quando o assunto é automóvel. Ele são o ponto de contato do veículo com o solo, e deles vem, principalmente, a aderência em curvas e frenagens, o controle do carro nas retas em velocidades mais altas, o nível de ruído, a estabilidade do veículo nos desvios de trajetória mais bruscos, a dinâmica nos dois tipos de pisos (secos e molhados), e até o comportamento do carro no barro e lama.

Os pneus, pelo incrível que pareça, tem uma história mais longa que a do próprio automóvel: Charles Goodyear descobriu em 1830 que a borracha poderia ser vulcanizada e, assim, suportar melhor as variações de temperatura, além de poder ser moldada no formato que fosse necessário.





Em 1845 foram os irmãos franceses Michelin que patentearam rodas guarnecidas de borracha maciça, o que deixava as carruagens da época mais confortáveis e silenciosas. Em 1847, Robert Thompson adaptou uma câmara de ar comprimido aos pneus maciços dos irmãos Michelin, e essa técnica foi especialmente desenvolvida por John Boyd Dunlop décadas depois, quando os pneus com câmara interna passaram a ser usados em larga escala nas bicicletas. Depois disso, foi só uma questão de tempo para os pneus passarem a equipar os automóveis.





Medidas

Todo mundo já percebeu que na lateral do pneu existem vários números, que definem suas dimensões e outras características. O primeiro número (175, 185 ou 205, por exemplo), indica a largura do pneu em milímetros. Seguido da largura, o número menor (que pode ser 55, 60 ou 70, por exemplo) se refere a largura do pneu, que é dada em porcentagem com relação a altura (na medida 185/60, por exemplo, a altura do pneu equivale a 60% de sua largura, que é de 185 mm nesse caso). Ou seja, quanto menor o valor do percentual, mais baixo é o pneu.





O terceiro número, após a sigla R (de radial), é provavelmente o mais conhecido: indica o aro da roda que o pneu deve ser instalado. O quarto número, mais importante para veículos comerciais ou de trabalho, significa a carga máxima suportada pelo pneu e é indicada por uma sigla numérica que varia de 60 (250 kg) até 125 (1.650 kg). Por último, uma letra maiúscula indica a velocidade máxima suportada pelo pneu (confira a tabela abaixo). Caso esse limite de velocidade seja ultrapassado, o pneu corre o risco de dechapar (perder a banda de rodagem), ou até mesmo explodir dependendo da situação.



Características

Essas características definem, principalmente, o comportamento dinâmico do veículo. Um pneu com perfil mais alto e banda de rodagem mais estreita, por exemplo, deixará o automóvel mais confortável por conta da lateral alta, que se deforma mais facilmente e absorve melhor as irregularidades (e principalmente buracos) do piso. Essas dimensões do pneu (alto e estreito), reduzem o ruído e o risco de aquaplanagem (situação que o pneu perde contato com o piso molhado e o carro acaba “flutuando” sobre a água), mas em contrapartida geram menor eficiência nas frenagens e mais lentidão na resposta do veículo ao comando do volante.





Entenda: Antes que o veículo responda a um desvio brusco de trajetória, o pneu tenderá a deformar toda sua lateral (alta, nesse caso), até chegar na banda de rodagem e, assim, conseguir fazer esse desvio. Nos pneus de perfil baixo, essa deformação menor da lateral faria com que houvesse uma resposta quase imediata da banda de rodagem ao comando do volante, tornando o desvio mais rápido.

Mas aí já estamos falando de um pneu esportivo, com banda de rodagem larga e perfil baixo, feito para reduzir o espaço de frenagem, melhorar a aderência nas curvas e ter respostas mais rápidas ao comando do volante. Suas desvantagens estão no rodar mais áspero e maior ruído. Além dos pneus de perfil mais alto e baixo, temos ainda os pneus lameiros, que costumam ter perfil mais alto e uma banda de rodagem maior, resultando em uma tração, frenagem e direção melhores.







Douglas Mendonça

Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Engenharia Paulista (IEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.

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