Pneus Runflat: Como funcionam e quais suas vantagens

Uma coisa bem incômoda que é comum de acontecer é furar um pneu. E isso sempre acontece naqueles momentos que você está atrasado para algum compromisso ou se encontra em algum lugar, digamos, não muito amigável. Como esse problema sempre aconteceu nos carros, a melhor solução foi criar um pneu que não esvaziasse. Daí surgiram os runflat (traduzido do inglês como “pneus que rodam vazios”), que eram inicialmente pneus comuns revestidos internamente com um tecido especial. Isso lá pelo início dos anos 30, e essa inédita tecnologia evitava também o perigo das explosões de pneus que eram comuns na época.


Os técnicos e construtores dos primeiros carros no fim do século 19 também perceberam esse problema, e se isso não fosse resolvido de uma forma técnica, os carros iriam andar tão devagar quanto as carroças da época. A solução encontrada foi usar um conjunto de engrenagens que pudessem ser trocadas conforme a velocidade fosse aumentando (daí veio o nome caixa de câmbio, no sentido de troca). Quando se coloca um motor ligado a um conjunto de engrenagens que reduz as rotações, automaticamente você ganha torque.





E como funcionam os pneus runflat atuais? Basicamente, eles possuem reforços estruturais interiores nos ombros, flancos e talões, que são revestidos de arcos de aço que acompanham por dentro todo o raio do pneu. Esses tais arcos de aço suportam todo o peso do veículo caso haja vazamento do ar comprimido, evitando estouros e até uma perda de controle imediato caso o carro esteja em movimento.





Como vantagens, podemos começar pelo seu propósito, que é permitir que o motorista se dirija até um local para reparar e recalibrar o pneu, evitando todo aquele trabalho de trocar um pneu na rua, além de eliminar o tradicional espaço do estepe no porta-malas (aumentando sua capacidade), e obviamente poupar o peso de um conjunto roda/pneu extra (fora os acessórios como o macaco e, em alguns casos, chave de roda).





Mas essa tecnologia tem seus contras: além de limitar a velocidade máxima (80 km/h em algumas fabricantes, por exemplo), eles tem uma “autonomia” também limitada a partir do momento que se murcham (De aproximadamente 70 km). Outro ponto negativo é que os carros equipados com eles não possuem estepe, apenas um kit de reparo para furos pequenos, ou seja, caso ocorra um rasgo ou outro acidente que impossibilite seu remendo, não existe um pneu reserva para troca, e o jeito é torcer para encontrar algum ponto de venda próximo e comprar um pneu novo. Em alguns casos extremos, o único jeito é chamar um guincho para rebocar o carro que teve seu pneu runflat irremediavelmente danificado.





Suas diferenças com os pneus comuns são o rodar mais áspero e rígido, causado pela carcaça interna reforçada, que não flexiona tão bem ao passar por irregularidades, e todo o impacto é transferido para as suspensões do veículo. Outra coisa é que sua rigidez estrutural também não permite uma maior deformação na hora de contornar curvas mais rápidas ou fazer desvios bruscos, fato desejável que adapte a banda de rodagem para aquela situação (por isso o desempenho de um pneu radial comum nesses tipos de situação é superior ao de um runflat). Outro ponto positivo é o runflat manter boa aderência mesmo murcho, se tornando um pneu mais seguro.

Douglas Mendonça

Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Engenharia Paulista (IEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.

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