Motor rotativo Wankel: funcionamento, vantagens e desvantagens

Os motores comuns que equipam quase todos os veículos no mundo são chamados de motores alternativos, isso porque alternam os movimentos de sobe e desce de pistões dentro dos cilindros. Para que esses movimentos sejam harmonizados, esses motores alternativos precisam de muitas outras peças móveis: bielas, pistões, pinos, anéis, válvulas, molas, rotores, volante do motor, entre outros. Tudo isso somado só aumenta seu peso e tamanho. Em 1924, o jovem engenheiro alemão Félix Wankel começou a idealizar um novo tipo de motor que, ao invés dos pistões subindo e descendo, tinha um sistema que o motor simplesmente girava.





O melhor disso é que esse motor também dispensava as outras tantas peças que um propulsor alternativo utilizava. Para a época, uma proposta valorosa que resultava em um motor mais leve, compacto e eficiente que foi batizado com o nome do seu criador (Wankel) e oficialmente patenteado em 1933. O interessante é que esse tal motor rotativo Wankel mantém os quatro tempos de um motor comum (admissão, compressão, explosão e escape), só que girando ao invés do movimento sobe e desce dos pistões.





Nas ilustrações fica claro o que o engenheiro Félix Wankel idealizou, e uma particularidade desse revolucionário propulsor diz respeito à sua cilindrada: enquanto nos motores alternativos somamos a capacidade cúbica de cada pistão dentro dos cilindros em um ciclo (ou duas voltas do virabrequim), o Wankel faz um ciclo de admissão enquanto as outras partes do triângulo já completam compressão, explosão e escapamento. Por isso, a publicidade desses rotativos diziam que cada triângulo correspondia a um motor comum de três cilindros, pois todos os ciclos aconteciam ao mesmo tempo.





Um bom observador vai notar particularidades desse motor rotativo com um de dois tempos, que também faziam admissão e escape através de janelas e era lubrificado pela mistura óleo/gasolina ou pela pulverização automática de óleo através da admissão, exatamente como nesse rotativo. Ou seja, eles realmente tem suas semelhanças. Suas principais vantagens são o menor peso, menor quantidade de peças (tanto móveis quanto fixas), além de menor vibração e mais silêncio e suavidade no funcionamento.

Leve, compacto, com poucas peças móveis e suave, esse motor criado pelo engenheiro alemão tinha tudo para substituir completamente o motor alternativo. Mas, claro, nem tudo é perfeito: essa engenhosidade toda peca onde não deveria pecar, que é o consumo de combustível, emissão de poluentes e a vedação falha entre os ciclos (que é realizada nas pontas dos triângulos).





Aqui no Brasil, apenas o Mazda RX-7 foi vendido com essa tecnologia, mas, mesmo assim, era trazido por importadores independentes. Mas quando as leis de emissão de poluentes e o consumo de combustível não eram tão importantes assim, o Wankel fazia sucesso: em 1978 já alcançava a marca de 1 milhão de unidades produzidas e depois venceu sua primeira competição automobilística em Spa (Bélgica) em 1981 mas, de longe, seu maior feito foi ganhar as 24 Horas de Le Mans de 1991, maior prova de endurance do mundo, em um protótipo Mazda.



O último carro equipado com o motor rotativo Wankel foi fabricado em 2012, e tratava-se de um Mazda RX-8. A própria montadora japonesa, investidora por décadas na ideia de Félix Wankel, promete o renascimento desse eficiente motor para um futuro breve e, o melhor, com todos os seus problemas técnicos resolvidos. Se isso realmente acontecer, será uma nova era para os propulsores a combustão.





Douglas Mendonça

Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Engenharia Paulista (IEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.

1 Comentário

  1. Antonio Carlos Machado

    Bom. Impressionante que foi pensado em 1924, a quase 100 anos…

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